Uma vida de fama, visibilidade, dinheiro na conta, com rotinas exaustivas de trabalho e cobranças são alguns dos fatores principais que causam o esgotamento emocional e podem despertar o desejo por novas sensações, como o contato com as drogas. Normalmente, é o vício que resulta num quadro depressivo. Mas, em outros casos, com o intuito de aliviar os sintomas da depressão, pessoas abusam de substâncias, criando um ciclo perigoso em que os quadros se agravam mutuamente.
No fim de 2019, o cantor Justin Bieber revelou em uma de suas redes sociais o quanto a fama foi nociva para a sua vida, alegando que o estrelato no início da adolescência o levou à depressão e à falta de humildade, e em seguida ao abuso de drogas. Porém, após se tratar com profissionais, o cantor diz ter mudado de vida — final diferente do cantor brasileiro Chorão, da banda Charlie Brown Jr que, em março de 2013, foi encontrado morto em seu apartamento vítima de uma overdose de cocaína. A viúva do artista relatou em seu livro que “mesmo com uma agenda cheia de shows para cumprir, o estado de espírito dele era a insatisfação permanente”, resultado de uma depressão profunda.
Quando uma pessoa tem uma experiência ilícita — seja por curiosidade, desejo por novas sensações ou necessidade de criar uma realidade — ela se sente satisfeita após o uso, tornando comum consumir outras vezes. Para se ter uma ideia da gravidade da situação, entre 162 milhões e 324 milhões de pessoas (de 3,5% a 7% da população mundial), com idade entre 15 e 64 anos, consumiram ao menos uma vez algum tipo de droga ilícita, de acordo com dados do Relatório Mundial sobre o uso de drogas.
A grande questão é que o dependente químico, seja ele famoso ou não, perde o total domínio sobre sua vontade de utilizar drogas, transformando esse hábito em uma prioridade no seu dia a dia.
Precisamos, urgentemente, acabar o tabu de que depressão é sinônimo de fraqueza ou “frescura”. A psicologia busca recursos para compreender o ser humano, seja em seus comportamentos, pensamentos, emoções ou vícios, tornando-se essencial para o convívio e sobrevivência. Depressão e drogas matam.