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Brasil / Cotidiano

Há 24 anos, urna eletrônica pôs o Brasil no primeiro mundo dos processos eleitorais

Por Anderson Firmino

Esta semana, o mundo acompanhou a marcha – lenta – das apuração dos votos para presidente dos Estados Unidos. No Brasil, essa realidade há tempos é inimaginável. Mais precisamente há 24 anos, quando a urna eletrônica nos colocou no “primeiro mundo†dos processos eleitorais.

Em Santos, existe, de acordo com o TSE, pouco mais de 31 mil eleitores, que sequer haviam nascido quando a disputa pela prefeitura teve um novo ingrediente: a urna eletrônica, que chegava para substituir as cédulas de papel e, sobretudo, as intermináveis maratonas de apuração, que duravam dias a fio. A Cidade fora uma das 57 contempladas com a chance de testarem o novo modelo de sufrágio. Mas, nem tudo foi perfeito.

De acordo com o historiador do site Memória Santista, Sérgio Willians, logo pela manhã daquele 3 de outubro, foram registrados diversos casos, como o ocorrido na 85ª seção, abrigada na EE Francisco Meira, na Zona Noroeste, onde uma das urnas parou de funcionar completamente, obrigando o uso da urna convencional, com votos em papel.

Houve também filas. Longas filas, por conta da falta de traquejo de muitos eleitores com a urna. “Na EM Leonardo Nunes, na Areia Branca, por exemplo, cada grupo de 10 eleitores chegava a demorar mais de meia hora para votar, ou seja, uma média de três minutos por eleitor (eram apenas dois votos a serem digitados). Filas enormes eram formadas nas portas dos locais de votaçãoâ€, lembra Willians.

E não foi por falta de chances de “treinar†na urna eletrônica. Nos cartórios eleitorais, havia aparelhos onde era possível simular o voto, escolhendo como prefeito algumas celebridades, como Elis Regina, do PMS (Partido da Música), Monteiro Lobato, pelo PLI (Partido da Literatura) e Grande Otelo, do PTV (Partido da Televisão). Para vereador, as “opções†eram Raul Seixas (PMS), Carlos Drummond de Andrade (PLI) e Tom Jobim (PMS).

A apuração ocorreu como previsto pela Justiça Eleitoral, em tempo recorde. Antes da meia noite, os santistas já sabiam o resultado da votação, garantindo as manchetes do dia seguinte com o nome do novo ocupante do Palácio José Bonifácio. Assim como acontecerá mais uma vez em breve.

Vai uma cervejinha?
Durante muito tempo, dia de eleição tinha proibição do consumo de bebida alcoólica. Era a chamada Lei Seca, um tormento para quem queria aproveitar o feriado – sim, era feriado – tomando uma cervejinha, por exemplo. Porém, na ânsia de cortar custos, a Justiça Eleitoral aceitava veicular publicidade nos displays das cabines de votação. No Estado de São Paulo, a propaganda era justamente da Cerveja Antarctica. Segundo Sergio Willains, o TRE-SP rebatia as críticas ao afirmar que a mesma empresa também fabricava refrigerantes.

Foto: Reprodução