Por Silvia Barreto
Da Revista Mais Santos
O inverno de 2022 começa astronomicamente à s 6h14 do dia 21 de junho, quando ocorre o solstÃcio de inverno, e se estende até à s 22h04 do dia 22 de setembro, data do equinócio da primavera.
De acordo com o climatologista Rodolfo Bonafim, da Ong Amigos da Ãgua, esta estação será regida pelo fenômeno La Niña, que resfria as águas do Oceano PacÃfico e influencia nas chuvas em várias regiões do Brasil, potencializando o excesso nas regiões Norte e Nordeste e aumentando o risco de seca ou de chuvas irregulares na Região Sul.
“O principal efeito da La Niña é um frio mais intenso. Quase todos os invernos mais rigorosos tiveram La Niña envolvida nisso. Muitas vezes ela começa no final do inverno, acaba pegando a primavera e até o verão, mas ela perde força quando chega no outono do outro ano. Essa continua ‘com gás’ “, explica.
A forte onda de frio do começo da segunda quinzena de maio de 2022 foi sentida em todas as Regiões do paÃs. A temperatura baixou para quase 5°C negativos no Sul do Brasil. Estados da Região Norte, como Rondônia e Tocantins, registraram temperaturas em torno de 11°C. Na Região Sudeste, geou em áreas do estado de São Paulo, do Sul de Minas e também do Triângulo Mineiro. A cidade de São Paulo registrou 6,6°C, que foi a temperatura mais baixa para um dia de maio desde 1990.
Mas o que mais impressionou foi o efeito desta massa polar na Região Centro-Oeste. O frio intenso causou geada no Distrito Federal, o que é raro. BrasÃlia registrou apenas 4,9°C, a segunda menor temperatura para um dia de maio desde 1960, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia.
As chuvas devem ficar dentro da média, com uma quantidade razoável para a Baixada Santista. Segundo Bonafim, o Litoral pode ser considerado uma região “abençoada pela água”, considerado a presença do mar como uma fonte quase que inesgotável de umidade. Durante essa onda de frio, uma das perguntas mais recorrentes foi se este ano ainda poderÃamos ter uma outra onda de frio tão intensa e abrangente como esta observada no começo da segunda quinzena de maio de 2022. “As chuvas na La Niña tem sido irregulares. Deveremos ter neste inverno um frio mais frequente. Temos a previsão de mais uma massa de ar polar forte em julho e outra em agosto, intercaladas por frentes frias não tão fortes, mas que faz sentirmos na pele o frio”, destaca.
Ar seco
Nesse perÃodo são comuns a baixa umidade do ar, as alterações bruscas de temperatura e o aumento da poluição atmosférica, fatores preocupantes para quem sofre de doenças respiratórias crônicas. Além disso, nos dias frios as pessoas costumam ficar mais tempo em ambientes fechados, com pouca ventilação, o que favorece o desencadeamento de doenças respiratórias e também a transmissão de gripe e resfriados, além de outras bactérias e viroses.
O climatologista ressalta que o ar seco não representa um problema para a Baixada Santista. “Com a La Niña é difÃcil. Podemos ter um vento noroeste, seco e quente, chegando até abaixo de 25% que é estado de atenção, pela OMS, mas isso é pico. O nosso problema nesse inverno será a umidade alta. Tivemos dias que a umidade chegou a 95%, perto da saturação. O ar muito úmido, também, não é saudável”, alerta.
Reflexos
A alta dos juros e a inflação persistente têm tirado o poder de compra e de consumo das famÃlias, afetando as perspectivas para o crescimento da economia nos próximos meses. Neste ano, o comércio varejista acumula crescimento de 2,3%.
Este reflexo é sentido no Litoral, onde os comerciantes – mesmo sem números oficiais – comemoram antecipadamente as baixas temperaturas e o consequente aquecimento das vendas.
A confirmação deste cenário é feita pelo presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Santos (CDL), Marcus Vinicius Rosa, por acompanhar os empresários e tomar conhecimento da satisfação deles pela elevação nas vendas.
“Aumentou, principalmente, o vestuário de inverno, roupas para aquecer, como também os calçados. O comércio tem registrado boas vendas e o Dia dos Namorados foi um grande impulse, melhorando as vendas neste periodo”, destaca.
Os efeitos da pandemia começam a ficar para trás. Em recentes dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica (IBGE), quatro das oito atividades do varejo tiveram alta em abril, com destaque para móveis e eletrodomésticos (2,3%) e tecidos, vestuário e calçados (1,7%). Já as maiores quedas foram e, livros, jornais, revistas e papelaria (-5,6%) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-6,7%).
“O cenário no comércio vem apresentando mudanças positivas. O movimento nos comércios aumentou, contribuindo para a crescente venda no varejo, como no atacado. No perÃodo da pandemia, significativa parte do comércio em geral se adaptou à nova realidade com o comércio virtual ou o e-commerce que vem resultando em vendas crescentes. Melhoraram as vendas nas lojas e houve uma alavanca que são essas vendas pelo comércio virtual”, constata o presidente do CDL.
Foto: Luigi Bongiovanni