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Região / Cotidiano

Os netos de uma vovó solidária

Por Ted Sartori
Da Redação Mais Santos

Em 1993, Lindaura Moura de Souza trabalhava como atendente de enfermagem em um asilo que estava encerrando as atividades. No local, havia 11 idosos que, sem recursos, não teriam para onde ir. Preocupada com a situação deles, Lindaura pediu para a mãe, Walquiria Moura de Souza, que os deixasse levá-los para sua casa. Assim nasceu o Lar de Amparo Vovó Walquiria, no número 1555 da Avenida João Francisco Bensdorp, na Cidade Náutica, em São Vicente.

Walquiria morreu em 31 de dezembro de 2019, a fundadora Lindaura representa a instituição em eventos, recepciona, faz marcação de consultas, sem um cargo específico, e a filha dela, Iva Cristina Moura de Almeida Monteiro, é a presidente desde 2011, indicada pela avó que dá nome à entidade.

“Quando minha mãe chegou com os idosos, tinha 10 anos. Morávamos e dormíamos junto com os idosos, só separando os quartos por sexo. Foi assim por uns dois, três anos. Depois foram sendo construídos mais quartos e aí fomos para dormitórios separados. Esse trabalho é como se fosse a minha casa, a minha família”, conta Iva.

O Lar de Amparo Vovó Walquiria atende idosos acima dos 60 anos – atualmente são 24. São oferecidos serviços de enfermagem, de nutrição (são seis refeições diárias), lavanderia e limpeza, fisioterapia, além de um médico voluntário à disposição.

Tal como acontece em qualquer família, as dificuldades financeiras existem. A entidade, que não recebe ajuda governamental, possui despesa mensal de R$ 42 mil e a conta não fecha. Com sacrifício, as contas de água e luz atuais vão sendo pagas. Além disso, as doações de alimentos, parte fundamental da lista de prioridades, também diminuíram bastante.

“Para arrecadar fundos, a casa realiza eventos, como delivery de feijoada, rifa e bingo, mas mesmo assim não é suficiente para manutenção da casa. Os valores são grandes”, afirma a presidente. “A manutenção é a que se tem maior dificuldade de fazer. Precisamos de nova parte hidráulica, como trocar a pia da enfermaria, e elétrica, assim como pintar o teto e o chão, mas precisamos de tinta para isso”, emenda.

O bom e o ruim

O cotidiano de Iva à frente do Lar de Amparo Vovó Walquiria faz com que ela observe o lado bom e o lado ruim da responsabilidade convertida em tanta dedicação.

“A parte ruim é não ter dinheiro para realizar todas as manutenções e atender às exigências das fiscalizações, algo que a maioria das instituições possui. Ou seja, não conseguir administrar a entidade como se deveria. O lado bom é o convívio com os idosos, de rir com as experiências deles”, descreve.

Como não poderia deixar de ser, a pandemia de Covid-19 atrapalhou a rotina do Lar de Amparo Vovó Walquiria. Não bastasse a perda de colaboradores, muitos de idade avançada, em razão da doença e seus cuidados, as visitas solidárias, importante componente para os idosos, tiveram de ser interrompidas.

“Sentimos muita falta disso porque a comunidade participava. Não tinha horário: a pessoa vinha, se identificava e a gente colocava para dentro para fazer as ações necessárias. Quando era café da tarde, a pessoa agendava porque precisava deixar a cozinha avisada, caso precisasse fazer alguma coisa”, conta.

Em meio aos problemas, torna-se difícil até fazer projeções, mas Iva segue com uma, pelo menos, em dia. “Meu sonho era sairmos daqui e irmos para um novo espaço, para continuar o trabalho”.

Quem quiser ajudar o Lar de Amparo Vovó Walquiria pode fazer doações de alimentos e entregar na própria sede. Caso a colaboração seja em dinheiro, é possível realizar depósito em conta (Banco Bradesco – Agência 6328 e Conta Corrente: 0020941-4) ou via PIX (vovowalquiria@outlook.com é a chave). Para TED ou DOC, o CNPJ da instituição é 02.754.279/0001-24.

Foto: Divulgação